Ensino Fundamental ll
PRESSUPOSTOS PEDAGÓGICOS
ENSINO FUNDAMENTAL II - 6º ao 9º ano
Segundo Piaget, a partir da adolescência e até a idade
adulta, configura-se o estágio da lógica formal, quando
o pensamento lógico alcança seu nível de maior
equilibração, ou seja, operatividade, adquirindo a
forma de uma lógica proposicional, que seria o auge do desenvolvimento.
Assim sendo, as estruturas operatórias “formais”
que começam a se constituir por volta dos onze, doze anos,
assinalam uma etapa em que o conhecimento ultrapassa o próprio
real para inserir-se no possível e para relacionar diretamente
o possível ao necessário sem a mediação
indispensável do concreto.
Com efeito, a característica das operações
formais é a de poder recair sobre hipóteses e não
apenas sobre os objetos: é essa a novidade fundamental da
qual todos os estudiosos do assunto notaram o aparecimento perto
dos 11 anos.
Vigotsky estudando a formação e o desenvolvimento
de conceitos na criança postula que o “desenvolvimento
dos processos que finalmente resultam na formação
de conceitos começa na fase mais precoce da infância,
mas as funções intelectuais que, numa combinação
específica, formam a base psicológica do processo
da formação de conceitos amadurece, se configura e
se desenvolve somente na puberdade”.
Nessa perspectiva, as interações e o meio ambiente,
se apresentam como fundamentais para o desenvolvimento do adolescente.
Há que se apresentar a ele, tarefas (situação-problema),
fazer-lhe novas exigências, estimulando o seu intelecto e
proporcionando-lhe uma série de novas situações
e objetos, que poderão fazer com que seu raciocínio
consiga atingir estágios cada vez mais elevados.
Assim, a partir de 11 anos, a criança é capaz de
resolver problemas, investigando, sistematicamente, e já
é capaz de usar uma lógica dedutiva.
Para desenvolver as operações formais, deve haver
algum desenvolvimento neurológico básico, um ambiente
social favorável, incluindo tanto aspectos culturais como
educacionais, a oportunidade de trabalhar com materiais apropriados
e as atividades da própria criança ou adolescente.
Desta forma, o conhecimento das características biopsicosociais
do adolescente é fundamental para se conviver com ele.
Nessa fase, é necessário compreender os “lutos”
vividos por ele: “luto” pelo corpo infantil, “luto”
pela identidade e papel infantil, entre outros. O adolescente procura,
nesse período, entender esse processo de descoberta de si
mesmo e sua auto-identificação. Isso significa conhecer
um corpo novo, suas potencialidades para o desenvolvimento cognitivo,
social e, principalmente, suas emoções. Conhecer as
condições da nova constelação de valores
apresentados pelo meio e definir seu lugar na “sociedade adulta”.
Como já vimos anteriormente, o pensamento amplia-se muito
no período da adolescência, tornando-se aos poucos
lógico-formal. Nesse período, todos os valores (ou
quase todos) são bastante questionados e comparados com outros
valores. Seus modelos sociais são redefinidos e procuram
se identificar com outros modelos, tendo em vista a possibilidade
de encontrar sua própria identidade.
Quando o adolescente está elaborando esses novos modelos
e valores, sua conduta é de questionar as idéias que
lhe são impostas e procura, com freqüência, entender
seu mundo interior. Envolvido no processo de construção
de regras gosta de discuti-las, questionando as exigências
e as normas sociais vigentes. A obediência e o respeito para
ele são valores profundamente discutíveis.
Desta forma, o conceito de disciplina e limites por todo o contexto
já apresentado, exige muita reflexão no grupo de convívio
do adolescente, quer familiar ou escolar. É muito importante
a discussão freqüente sobre sua organização
frente a seus direitos e deveres e essas discussões devem
passar, necessariamente, pelo diálogo de maneira a estabelecer
uma “rede de conversação, garantindo relações
afetivas seguras, que possam fazer com que o adolescente pense seu
lugar na sociedade e se veja como um indivíduo construtor
de sua identidade, produto das relações sociais que
desenvolverá pela vida a fora, o que alguns autores consideram
maior dilema do período.
Como se vê, dos 11 aos 14 anos, o indivíduo apresenta
alguns aspectos no seu desenvolvimento físico, social e psicológico
que se caracterizam como “mudanças” importantes
e cujas ligações já foram amplamente estudadas,
visto que algumas dessas mudanças da puberdade e adolescência
passam a afetar certos aspectos do funcionamento e da organização
do indivíduo.
Comumente, se fala da adolescência com um período de
“tempestade” e “tormenta”, cheio de revoluções.
É claro que é um período de intensas mudanças,
permeado sim, por tensões e sérias contradições.
Afinal de contas, o adolescente tem que desenvolver novos papéis,
novos meios de interagir com os pais e com os outros adolescentes.
Todavia, a maioria deles consegue se “ajustar” a um
padrão bastante estável de relacionamento na família
e na escola da mesma forma como o fizeram anteriormente entre os
seis e onze anos.
A chamada “crise de identidade”, na verdade, nesse
período se configura principalmente pelo fato do adolescente
testar o auto-conceito anteriormente desenvolvido e mais especificamente
enfrentar a necessidade de encontrar alguma coisa que se ajuste
ao que ele sabe sobre si mesmo e ao que é valorizado pelos
que o circulam. Fazer uma escolha desse tipo envolve reexaminar
velhos pressupostos e valores.
Desse modo, é preciso estar sempre atento ao fato de que
a maioria dos comportamentos agressivos ou não do adolescente,
vêm de uma necessidade de ser ouvido, amado e de sentir-se
seguro e valorizado. Período que se caracteriza muito rico
para o desenvolvimento do indivíduo, em que as interações
desempenharão um papel central não só no desenvolvimento
do pensamento e da linguagem, mas no da consciência como um
todo.
É no contexto dessas reflexões, que têm como
pressupostos o fazer e o existir coletivos e individuais e a atividade
prática como condição para o aluno se desenvolver,
que o Colégio Alvorecer procura pensar o processo de desenvolvimento
do adolescente, buscando uma maior compreensão das características
desse aluno e da sua dinâmica de sala de aula.
Assim sendo, a orientação dos alunos de 6º ao
9º ano (onze a catorze anos) buscará informações
sobre ele com os pais para chegar a um quadro cada vez mais adequado
das potencialidades dos alunos. Trabalhará a partir desses
dados e ao mesmo tempo com a consciência de que o aluno vai
adquirindo de suas dificuldades.
Esse trabalho favorece o trabalho em equipe, uma vez que envolve
professores e família na compreensão das dificuldades
do aluno e, sobretudo busca conhecer essa pessoa procurando aproximar-se
dela, podendo percebê-la e ajudá-la a seguir seu próprio
caminho. Nessa perspectiva, o Colégio crê como fundamental
o envolvimento de todos no processo: pais, professores, orientadores
porque ou todos se mobilizam e se comprometem nesse processo de
aprendizagem, ou não haverá aprendizagem possível.
O que equivale dizer que a nossa função além
de ensinar é também a de comprometer, mobilizar, motivar.
Equipe de Coordenação e Orientação
Pedagógica
Vivian Andrade Miklos - Coordenadora Pedagógica
Vanessa Andrade - Coordenadora Pedagógica
Marly Motta - Assistente de Coordenação
Kátia Andrade - Diretora Pedagógica
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